Sessão

Mostra Brasil 2012-2022 Dever de Memória

Brasil 2012-2022: dever de memória
Lucas Murari

As primeiras décadas do século XXI têm sido marcadas pela proliferação de manifestações sociais mundo afora. Fenômenos insurrecionais como Ocupações (Occupy), Coletes Amarelos (Gillets Jaunes), Primavera Árabe (Tunísia, Egito, Líbia, Iêmen), Indignados da Puerta del Sol (Espanha), Geração à Rasca (Portugal), Explosão Social (Estallido social, Chile), entre muitos outros, vêm mostrando as novas dinâmicas de rebelião e estratégias de luta, onde não só as ruas estão sendo tomadas, como redes de comunicação alternativas e novas mídias estão sendo utilizadas como forma de difusão de ideias e ações.

O Brasil não passou incólume dessa nova onda de protestos e táticas midiáticas. Os últimos anos foram fortemente marcados por uma politização da sociedade, proveniente de espectros políticos variados. A década 2012 – 2022 é um dos períodos mais intensos desde a redemocratização do país e instauração da Nova República (1985). Ao mesmo tempo, a cultura, de um modo geral, também tem respondido a essa ebulição. Um dos procedimentos requeridos pelo cinema em particular foi a noção de contra-informação, problematizando discursos e expressando pontos de vista críticos, destoantes da posição do Estado e da imprensa dominante. Seguindo nessa linha, constata-se uma série de obras feitas nesse período que se estruturam contra a indústria do espetáculo e do entretenimento.

Este programa composto por oito filmes realizados entre 2013 e 2020 propõem uma reflexão sobre a política brasileira, dando visibilidade a acontecimentos decisivos em relação às vidas (e as mortes) nesse contexto. Especulação imobiliária, dissensos e contradições sociais, necropolítica, herança colonial, são alguns dos temas abordados pelos diferentes trabalhos que integram a sessão. Em seu conjunto, “Brasil 2012-2022: dever de memória” propõe uma arqueologia crítica dessa década candente, ecoando um célebre pensamento de Walter Benjamin: “O dom de despertar no passado as centelhas da esperança é privilégio exclusivo do historiador convencido de que também os mortos não estarão em segurança se o inimigo vencer. E o autor conclui: “e esse inimigo não tem cessado de vencer”. Os oito filmes selecionados foram feitos por meio de estratégias formais e poéticas distintas, explicitando a diversidade do cinema experimental brasileiro contemporâneo.

Filmes da Sessão

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